sábado, 27 de fevereiro de 2010

Metade

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

Seja livre

Vivendo numa estrada sem fim,
sem ninguém mais para me frear ou servir de âncora.
nada de ladainhas e estereótipos irritantes,
apenas meu corpo, minha mente e meu espírito.

Espirito anseia, a mente planeja, e o corpo executa.
Ordem simples da nossa vida, a que deves provar.

Nossa mãe sempre nos diz para não falarmos com estranhos...
Que ultraje a renovação do cotidiano, pluralidade de conhecimentos.
Pois se assim seguir, não deverás olhar nem para o espelho.
Com sua vida sempre em risco, dias passam...
mas a vela póstuma continua acesa.

Sempre que paro pra pensar no mundo, reflito:
As pessoas conseguem me ver?Se conseguem, eu consigo vê-las?
Não há outra verdade absoluta, se não a certeza da morte e da mudança.
Ninguém é excessão, porém todos somos livres dos fados que carregam.

Fazemos dos nossos dias insanos,
nas nossas noites loucuras.
Pois só é possível ser feliz,
tendo a alma de uma criança,
com inocência, e não nos preocupar com fados de além mundos.

A vida é agora...
Curemos a doença do mundo para felicidade,
curemos a sanidade, a verdadeira doença do mundo.