domingo, 30 de maio de 2010

Zu Bacharach am Rheine


Os atrai para a perdição.
Desejo fatídico, existência mórbida.
Sugando, exaurindo, semeando desejos...
pensamentos, delírios em varões que,
mesmo o mais bravio, obstinado,
derrete diante do olhar,
faz corroer sua cortina de pudores,
obrigações, valores.

Seu palco, tem visão privilegiada,
d'onde pode vê-los se aproximando.
E no espelho d'água, logo abaixo,
os raios de sol brilham, onde seu reflexo
não pode ser visto, pois de tão lasciva,
esguia é o ser, a sabia natureza não ousa
se fazer presente.

Sua alma, contrasta com a natureza,
que expõe campos verdes, flores que exalam um dulçor que,
para homens cegos e sedentos não vêem, nem sentem
o seu fado, o delicioso pecado.

Esqueletos de seres e de barcos,
inanimados porém inquietos a seus pés.
Os atrai para sua torrente sinuosa, com ilusão
de liberdade, aventura.
Maldição que carrega, pois sua felicidade
dura uma vida, não a sua.
Inconstância de felicidade,
solidão, amargura enraizada em sua vida póstuma,
vingança.

Aos leigos és pura, linda e vituosa.
Engana-os, ri deles.
Mas quem a enxerga realmente, não ri, nem sente pena.
Chora.
Pois sua solidão, cólera não são sentimentos divinos,
sua punição sim.
Que as águas que a banham purifique sua existência,
que as vertentes de sua nascente aponte seu rumo,
e ao meu,
Lore Lei.

...


O frio aguça os sentidos,
ruídos, sombras, fragrâncias,
gostos e toques...
Sentindo e degustando lentamente cada um.
Na noite estrelada, que mostra a partitura
do ato que se sucede...
A lua, uiva e bate palmas,
pressentindo o que está por vir.
Ilumina os atores e os rege.

Insipiração quase que nostálgica,
na bruma começa a surgir,
macia e alva pele que faz sinestesia,
agrada, estala...canduras.
Olhares que queimam,
e exaurem desejos,
buscando cumplicidade e forças
para deleites extremamentes individuais.

domingo, 14 de março de 2010

Paixão Da Mente

Canção para as minhas paixões.
Por onde penso,
sigo, planejo.

Aprendo, raciocino,
anseio.
Anseio de saber,
compreensão.

Desejo de me interpretar,
discernir, me decompor.
Buscar nas especifidades do espírito,
um meio de me edificar, crescer.

Ansear, planejar e executar.
Ferramentas de que dispomos para viver.
Sentir, viver, tocar.

Ler, aprender, sorrir.
Labor da mente, não miscível
com os sentimentos.

Esses obstáculos criados
por nosso egoísmo, medo.
Tal combinação que nos cega
do nosso sentido maior.

Eu.Assim te procedes.
Mas esse Eu não pertence à você,
coagida sua mente está.
Assim já vive póstumo.

Saber, isso me deixa indiferente.
Saber, isso me deixa triste.
Pois quem são felizes,
são aqueles que pouco pensam, pouco vivem.

Saciedade, realização...só atingirei isso
quando criar algo, algo que me supere,
esse é o sentido da mente, planejar a criação, e assim se evolui, e assim deve
padecer.

Paixão Do Corpo

Canção para as minhas paixões.
Desejo animalesco.
Sofrimento e gozo,
Perigo e jogo.

Coreografia de odaliscas,
lascivas, esguias, intensas.
Orgulho e paixão.

Homem e mulher.
Opostos que incendeiam,
purgam-se quando juntos.
Destroem quando separados.

Angelical e bestial,
início e fim,
água e fogo.
Não vivem juntos,
mas não existem se separados.

Transcendência de sentidos,
calor e frio,
desejo e arrepio.
Aguçam-se,
arranhos, carícias,
tato...tato.

Mulheres, assim como à terra,
lhe devemos as tristezas,
alegrias, dores
amores.

Paixão Do Espírito

Canção para as minhas paixões.
Que de onde eu sofro,
é de onde eu vivo.

Vivacidade, sentir,
toque, suspiro,
arrepio.

Aquele que não sente,
não vive, vegeta.
Imóvel e imaculado,
santo.

Priva de seu espírito
o corpo.
Pálido, distante.
E assim quer viver,
viajar, escapulir.

Viver, sonhar - não.
viver, sentir - assim deve ser.
Superando todo dia a si mesmo.
E assim repousa,
feliz, em paz,
não saciado.

Desejo, anseio,
fulgor.
Razão, loucura,
amor.

Paixão da qual vivo,
e padeço.
Das virtudes que me orgulho,
as lustro, lapido.

E assim vivo.
Supero, tropeço,
desejo, me realizo,
amo.

terça-feira, 2 de março de 2010

Raul!

É pena que você pense
Que eu sou seu escravo
Dizendo que eu sou seu marido
E não posso partir

Como as pedras imóveis na praia
Eu fico ao seu lado sem saber
Dos amores que a vida me trouxe
E eu não pude viver

Eu perdi o meu medo
O meu medo, o meu medo da chuva
Pois a chuva voltando
Pra terra traz coisas do ar

Aprendi o segredo, o segredo
O segredo da vida
Vendo as pedras que choram sozinhas
No mesmo lugar

Eu não posso entender
Tanta gente aceitando a mentira
De que os sonhos desfazem aquilo
Que o padre falou

Porque quando eu jurei meu amor
Eu traí a mim mesmo, hoje eu sei
Que ninguém nesse mundo
É feliz tendo amado uma vez...
Uma vez...

Eu perdi o meu medo
O meu medo, o meu medo da chuva
Pois a chuva voltando
Pra terra traz coisas do ar

Aprendi o segredo, o segredo
O segredo da vida
Vendo as pedras que
Choram sozinhas no mesmo lugar

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Metade

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

Seja livre

Vivendo numa estrada sem fim,
sem ninguém mais para me frear ou servir de âncora.
nada de ladainhas e estereótipos irritantes,
apenas meu corpo, minha mente e meu espírito.

Espirito anseia, a mente planeja, e o corpo executa.
Ordem simples da nossa vida, a que deves provar.

Nossa mãe sempre nos diz para não falarmos com estranhos...
Que ultraje a renovação do cotidiano, pluralidade de conhecimentos.
Pois se assim seguir, não deverás olhar nem para o espelho.
Com sua vida sempre em risco, dias passam...
mas a vela póstuma continua acesa.

Sempre que paro pra pensar no mundo, reflito:
As pessoas conseguem me ver?Se conseguem, eu consigo vê-las?
Não há outra verdade absoluta, se não a certeza da morte e da mudança.
Ninguém é excessão, porém todos somos livres dos fados que carregam.

Fazemos dos nossos dias insanos,
nas nossas noites loucuras.
Pois só é possível ser feliz,
tendo a alma de uma criança,
com inocência, e não nos preocupar com fados de além mundos.

A vida é agora...
Curemos a doença do mundo para felicidade,
curemos a sanidade, a verdadeira doença do mundo.